Buzinas. Assim começa mais um dia na cidade. Subindo o morro em direção ao trabalho, carros, motos, barulho, gente se apinhando, ninguém tem um minuto para olhar o mendigo que os observa. Cadê meu bom dia? Quem não se conhece não se cumprimenta! E assim segue o caminho para labutar. Só quando entro no trabalho encontro o primeiro sinal de civilidade da manhã, “Bom dia!”, “Bom dia a todos!”
Layouts, telefonemas, dinheiro, cobranças, aprova ou não aprova? Aprovou! Festa por 5 minutos, e mais layouts, fotos, desenhos, checa daqui, procura de lá, e essa fonte que não rola, criatividade minha gente!!! Vamos lá!!! Cigarros, conversa com a equipe, papos com o chefe, mais cigarros, café! Volta pra sala, café, café, café, água e... De novo layouts, equipe concentra, brainstorm, desenhos até o fim do dia e ufa, hoje é sexta – feira! À noite barzinho, cervejas, cigarros, meninas, paqueras, olhares, outra cerveja, por favor! Decepções, conquistas, cadê meu dinheiro? Ainda cabe mais uma cerveja no meu bolso! Volto em zig-zag e chego em casa! Sozinho, penso o que fazer no meu sábado. Cansado dessa rotina procuro um lugar pra espairecer, preciso de algum canto que faça um pouco de silêncio para ouvir minha voz e minha consciência, se não eu posso enlouquecer, então decido Murici, zona rural de Caruaru aqui vou eu!
Acordo tarde, nove da manhã e eu já deveria estar lá. Levanto tomo meu banho, acordo Caramuru e digo “Vamo nessa”. Demora um bocado ainda, mas agente sai, passa numa padaria e come alguma coisa e simbora pegar o busu, chegando lá pegamos um ônibus lotado e depois de uns 50 minutos chegamos finalmente no lugar. Paro pra pensar: “parece que o mundo teima em não ajudar...Pra onde carah?” “ vamos pra comunidade Hari” e começo a pensar que talvez não tenha sido uma boa idéia o dia só ameaça chover, mas seguimos, e no meio do caminho muita chuva. Paramos debaixo de uma árvore, e depois de se molhar muito decidimos que é melhor continuar mesmo neste tempo. Depois de vinte metros encontramos o lugar, sorte ou azar? Ensopado do jeito que estávamos, entramos na comunidade, chamamos muito e que estranho é uma comunidade que não tem gente... Esperamos estiar e partimos pra caminhar: “o que tem pra lá?”, “lama!”, “e depois?”, “mais lama”, “ tudo bem, vamos nessa!” e não é que era lama mesmo! Mesmo assim agente não desiste até encontrar uma pedra que se posso tocar um violão. E quando encontramos nos deparamos com um cenário maravilhoso. É o lugar certo!
Paramos para descansar, tocar um violão, olhar a vida e descobrir que somos tão pequenos em relação ao mundo e a natureza, que nossos problemas não representam nada na frente disto tudo. Somos parte de um grande organismo e que devemos valorizar cada momento aqui e nos alegrar pela oportunidade de viver e pensar!
Voltamos pelo caminho, já satisfeitos pelo momento, e encontramos um grupo de pessoas, um cara com uma jibóia morta diz “me ajuda a fazer um cinto?” “Não, muito obrigado!” prosseguimos e depois de andar bastante chegamos ao começo da caminhada. Olhando para o lado nos deparamos com uma visão estonteante, um pasto em um vale com uma vista maravilhosa! Entramos e observamos os mecanismos de adubagem das vacas! Descobrimos segredos que estavam escondidos por duendes entre os fenos e cacas. Saímos mais felizes ainda depois de uma neblina passar entre nós. Paramos pra comer e eu penso não poderia ser melhor! Mas seria sim, um senhor, com duas amigas nos oferece uma carona até o centro, e nós vamos!
Chegando em casa exaustos e já de noite, um telefonema: “Pedrinho querido, quer ganhar um trocado trabalhando com a gente no show de Pouca Vogal?” “Claro, Madá!”, mas isso é outra história!
meu irmão, você me desenhou! Que irado!
ResponderExcluirFoi muito boa a trip! Ainda voltamos cheio de imagens.
Agente imagina tudo que lê...gosto das coisas q tu faz agente imaginar ;D
ResponderExcluirPoh, massa...um fim de semana em tanto!
ResponderExcluirimagens mentais!!!! me fez lembrar do nosso acamp em bonito.
ResponderExcluirBjs meu querido!